terça-feira, 13 de outubro de 2009

Vamos falar das almas desertas,
Dos desertos de saudade.
Do humano, demasiado humano.
Vamos ler vinho poesia e integridade,
Ouvir Chico Buarque no último,
Tomando aquele vinho barato.
Vamos tocar violão,
Inventar os acordes.
Vamos sair à noite,
Procurar a batida na pista escura.
Procurar sentido onde não tem,
Em ruas e placas,
Mentiras inventadas,
Em verdades perfeitas,
Ruas estreitas... Até onde vai a vista.
Vamos falar latim,
Deixar de guaiar.
Sem tormentos voluntários.
Vamos!
Voltar o relógio.
Ser ecléticos,
Elétricos.
Vamos!
Pra onde ninguém vai.
Pra onde todos querem.
Sem destino,
Sem tino...
Falar com desconhecidos,
Afinar os satélites,
Ter viagens óbvias,
Loucuras sóbrias.
Vamos rir dos timocratas.
E também dos timoratos!
Quem nunca erra?
Vamos incutir sem medo.
Não existe segredo,
Apenas verdades escondidas na superfície.
Vamos gargalhar!
Vamos pra onde tudo acaba,
Ou começa...
Sem pressa.



Fernanda Mendes.
Os olhos não continham o sorriso.
Teve de desenhá-lo na palma da mão.
Idéias brilhantizantes!
Como se sua alma fosse uma parcela do infinito distante.
Um infinito que ninguém sonda,
Nem compreende.
Num ritmo diferente,
Contínuo de dor angustiante.
Clareou a visão de beleza.
Sem tormentos voluntários!
A felicidade que lhe foge,
É por que não se encontra na terra.
Esse cortejo inevitável da vicissitude,
Causa insônia.
Vertigem!


Fernanda Mendes.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Sussurro.

Não me venha com essa de que o futuro não é como costumava ser.
O poema de arquitetura ideal esfarrapou. Fiapo por fiapo.
Vou despir a alma,
Deixando de ser louca para ser o seu mistério.
Consolante palavras que saem da tua boca chegando aos ouvidos.
Chega de contrastes, venha com cores!
Encontrando-se e perdendo-se,
Os tons confundem o pensamento,
Como palavras soltas...
Divagação de sentimentos.
Guardo inteiro em mim a casa que mandei um dia pelos ares.
Cansei da fantochada,
Parestesia!
O mundo deixou de ser mundo,
Quando desnudo de máscaras,
Apresentaste teu mundo.
Cai à tarde como sempre,
Como sempre,
Diferente,
Inolvidável!


Fernanda Mendes.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Verbalismo.

Seja mais e evite a mitomania.
Com cores e imagens cole os pedaços.
Seja o endossador das próprias loucuras!
Saia do claro escuro que assombra os pensamentos,
Das palavras soltas que invadem a sala faça uma música.
Deixe de parangolé!
Conte seus mistérios,
Se sério for, guardo segredo.
Deixe de lufar.
Acredite!
Largue os parâmetros,
Esqueça as estatísticas...
Traduza o pensamento,
Chore se quiser, se ajudar... Grite!
Não dissimule a situação,
Apenas faça-me um arpejo e tome um capilé.




Fernanda Mendes.