sábado, 9 de janeiro de 2010

ah, se meu travesseiro falasse!


O que é o dormir?
É um fechar e abrir de olhos durante um longo tempo. As vezes curto. As vezes curto e repetitivamente curto.
É um desabar sobre um colchão.
É não sentir mais o peso da carne.
Fecho os olhos. As vezes deito. As vezes descanso. Poucas vezes relaxo. Quando vejo, vejo. Quando fecho os olhos, sinto. Quando durmo, morro?
Durmo até que acordo. É só outro dia. É outro dia de novo. E de novo. E de novo.
Não durmo no sentido de desconectar. Não desligo. Não entro em stand by. Apenas fecho os olhos esperando o dia seguinte começar. E nesse tempo, durmo. As vezes sonho. Se sonho, estou acordado, mesmo que seja em outro lugar. Mesmo que este lugar seja minha própria consciência ativada pelo momento de dormir.
Não penso mais na noite dormida quando acordo. Penso no dia a ser vivido. Perdeu a graça dormir. É apenas um repouso. Assim como a soneca depois do almoço. Apenas pra recuperar energias gastas ao longo do dia; apenas com a duração maior de tempo, se for o caso.
Não sou mais o mesmo de antes. Já dormi algumas vezes para não viver. Morri, então... Morri por dentro e nasci quando acordei.
Abri os olhos e acordei ou acordei e abri os olhos?
Não importa. Não vai melhorar em nada. Não vai melhorar a minha sensação ao acordar. Não tornará o dia mais belo.
Afinal, o dia será belo de qualquer jeito. Sempre é belo. Cego eu que não vejo. Interessante.
Acrescento: Cego eu que não vejo as cores que não procuro. Procuro o sono na escuridão dos olhos fechados. Tolo.

Júlio Wanderlind

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